MAESTRO ANDERSON

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A Musica


Concerto da Banda Sinfonica da Universidade Federal de Goias
Local: Teatro Goiania
Data: 29 de outubro de 2003
Horario: 20:30 horas
Programa: Wagner, Grundman & Suppe
Regencia: Maestro Anderson Climaco da Silva




Quando nasceu a musica? - Como as primeiras manifestacoes musicais nao deixaram vestigios, e praticamente impossivel responder. Alguns estudiosos nem tentam; outros enfrentam o problema com base naquilo que se sabe sobre a vida humana na Pre-historia e preenchem as lacunas com certa dose de imaginacao. Mas nenhuma hipotese diz com exatidao o momento em que os primitivos comecaram a fazer arte com os sons. Ao que parece, o homem das cavernas dava a sua musica um sentido religioso. Considerava-a um presente dos deuses e atribuia-lhe funcoes magicas. Associada a dana, ela assumia um carater de ritual, pelo qual as tribos reverenciavam o desconhecido, agradecendo-lhe a abundancia da caa, a fertilidade da terra e dos homens.
Com o ritmo criado - batendo as maos e os pes -, eles buscavam tambem celebrar fatos da sua realidade: vitorias na guerra, descobertas surpreendentes. Mais tarde, em vez de usar so as maos e os pes, passaram a ritmar suas dancas com pancadas na madeira, primeiro simples e depois trabalhadas para soarem de formas diferentes. Surgia, assim, o instrumento de percussao.
Os barulhos da natureza deviam fascinar o homem desses tempos, dando-lhe vontade de imitar o sopro do vento, o ruido das aguas, o canto dos passaros. Mas, para isto, o ritmo nao bastava. E o artesanato ainda nao permitia a invencao de instrumentos melodicos. De modo que estranhos sons tirados da garganta devem ter constituido uma forma rudimentar de canto, que, junto com o ritmo, resultou na mistura de palmas e roncos, pulos e uivos, batidas e berros. Era o que estava ao alcance do homem primitivo. E tera sido um estilo que resistiu a seculos.
Contudo, segundo os atuais conceitos de musica, essas tentativas de expressao foram demasiadamente pobres para se enquadrarem na categoria de arte musical. Mas, do ponto de vista historico, elas tiveram uma importancia enorme. Porque a sua ritmica elementar acompanhou o homem a medida que este se espalhava sobre a terra, formando culturas e civilizacoes.
E evoluiu com ele, refletindo todas as transformacoes que a humanidade viveu ate chegar a ser como e agora.
A nocao que hoje se tem da musica como "uma organizacao temporal de sons e silencios" nao e nova. Civilizacoes muito antigas ja se aproximaram dela, descobrindo os elementos musicais e ordenando-os de maneira sistematizada.
Os historiadores tem encontrado inscricoes as quais indicam que um carater nitidamente ritualistico impregnava a maior parte da criacao musical da antigidade.
Por muito tempo as formas instrumentais permaneceram subdesenvolvidas. Predominava a musica vocal.
Essa forma, adicionando a musica o reforco das palavras, era mais comunicativa e as pessoas assimilavam-na melhor. Assim se explica o grande desenvolvimento que atingiu entre os antigos.
Os povos de origem semita cultivavam a expressao musical, tornando-a bastante elaborada. Os que habitavam a Arabia, principalmente, distinguiram-se pela criatividade. Possuiam uma ampla variedade de instrumentos e dominavam diferentes escalas. Segundo parece, tocavam sobretudo para dancar, pois foi entre eles que surgiu a "Suite de Dancas", um genero que sobrevive ainda hoje.
A Biblia mostra que tambem os judeus tinham a musica como habito. Davi fala sobre ela nos "Salmos", e diversas outras passagens biblicas contem mencoes a respeito.
Na China, o peculiar era a propria musica, devido a sua monumentalidade. Os chineses utilizavam nada menos que 84 escalas (o sistema tradicional da musica ocidental dispunha de apenas 24). A variedade da sua instrumentacao era imensa.
E j por volta do ano 2255 a.C. o dominio sobre a expressao musical atingia tal perfeicao entre eles, que sua influencia se estendia por todo o Oriente, moldando a musica do Japao, da Birmania, da Tailandia e de Java.
Mas, indiscutivelmente, foram os gregos que estabeleceram as bases para a cultura musical do Ocidente.
A propria palavra musica nasceu na Grecia, onde "Mousike" significava "A Arte das Musas", abrangendo tambem a poesia e a danca.
O ritmo era o denominador comum das tres artes, fundindo-as numa so. Dessa forma, a Lirica era um genero poetico, mas seu traco principal era a melodia e ate seu nome derivava de um instrumento musical - a Lira. Como os demais povos antigos, os gregos atribuiam aos deuses sua musica, definindo-a como uma criacao integral do espirito, um meio de alcancar a perfeicao.
Seu sistema musical apoiava-se numa escala elementar de quatro sons - o Tetracorde. Da uniao de dois tetracordes formaram-se escalas de oito notas, cuja riqueza sonora ja permitia tracar linhas melodicas. Estas escalas mais amplas - os Modos - tornaram o sistema musical grego conhecido posteriormente como Modal. O canto prendia-se a uma melodia simples, a Monofonia, pois os musicos da Grecia ignoravam as combinacoes simultaneas de sons (harmonias). Mas nem por isso deixavam de caracterizar com seus Modos um sentido moral - o Ethos -, tornando os ritmos sensuais, religiosos, guerreiros, e assim por diante.
Uma vez que os ritos religiosos quase nao mudavam, conservando a tradicao, com o tempo criaram-se melodias-padrao, muito faceis e conhecidas de todos. Eram os Nomoi, cujo acompanhamento se fazia com a Citara e o Aulos.
A citara descendia da lira e, como ela, tinha cordas. O aulos era um instrumento de sopro, ancestral do nosso oboe.
Partindo dos Nomoi, a musica da Grecia evoluiu para a lirica solista, o canto conjunto e o solo instrumental. Depois, vieram as grandes tragedias inteiramente cantadas, que marcaram o apogeu da civilizacao helenica (do seculo VI ao seculo IV a.C.). Dai por diante, a decadencia do povo encaminhou a musica da Grecia para o individualismo e o culto as aparencias. Parecendo prever a dominacao que lhes seria imposta pelos romanos, os gregos ironizavam a sua propria destruicao.
A cultura dos romanos era muito menor do que o seu poderio, de maneira que a conquista da Grecia lhes veio bem a calhar: a avanada civilizacao grega oferecia-lhes tudo o que nao tinham em ciencia, arte e refinamento. Recolhendo os melhores elementos do patrimonio grego, trataram de copia-los com capricho e depois apresentaram-nos como produto proprio entre os demais povos que tinham sob dominio. Mas nao foram muito alem desse trabalho de divulgacao. Particularmente no caso da musica, Roma quase nada acrescentou aquilo que se havia desenvolvido na Grecia. Sua contribuicao ao progresso musical destacou-se, contudo, pela invencao de alguns instrumentos como a Tibia (uma especie de gaita-de-foles), a Tuba (precursora do trombone) e um orgao primitivo, provavelmente hidraulico ou pneumatico. Entretanto, parece que esse orgao nao era original. Alguns pesquisadores afirmam que um egipcio chamado Ctesibio ja havia criado um aparelho do mesmo tipo dois ou tres seculos antes da era crista.




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